MAIOR ESCÂNDALO FINANCEIRO DA HISTÓRIA DO BRASIL — R$ 52 BILHÕES DE ROMBO NO FGC

INVESTIGAÇÃOBANCO MASTERCOMPLIANCE ZERO

Daniel Vorçaro: O “Epstein Brasileiro”? iPhone Descriptografado, Festas com Ministros dos 3 Poderes e o Maior Rombo da História do Brasil

Atualizado com os últimos desdobramentosFlagCheck / Investigação Especial

Daniel Vorçaro, presidente do Banco Master, está no centro do maior escândalo financeiro da história do Brasil: um rombo estimado em R$ 52 bilhões no FGC, oito bancos liquidados e uma rede de proteção que envolve ministros do STF, o governo Lula e senadores de múltiplos partidos. A Polícia Federal descriptografou seu iPhone e encontrou provas explosivas. Seus depoimentos no Senado, marcados para 23 e 24 de fevereiro de 2026, aterrorizam Brasília. A mídia e investigadores passaram a chamá-lo de “Epstein brasileiro” — e os paralelos são perturbadores.

Daniel Vorçaro depondo — escândalo Banco Master

Daniel Vorçaro durante depoimento — dono do Banco Master promete “não ficar calado” no Senado

Reprodução / Money Report

O Escândalo Banco Master em Números

R$ 52 bi
Rombo estimado no FGC
R$ 82 bi
Ativos declarados (2024)
8
Bancos liquidados pelo BC
3 Poderes
Autoridades envolvidas
Depoimentos marcados: CPMI do INSS — 23/02/2026 e CAE do Senado — 24/02/2026
Pesquise os arquivos Epstein originais e os paralelos com o caso Master: flagcheck.com.br/jmail — 3,5 milhões de documentos, 100% gratuito, sem cadastro

Quem é Daniel Vorçaro e o Banco Master

Daniel Vorçaro nasceu em 6 de outubro de 1983 em Belo Horizonte. Formado em Administração com MBA pelo IBMEC, começou no mercado imobiliário antes de entrar no sistema financeiro. Em 2018, comprou o Banco Máxima de Saul Sabba. Em 2021, rebatizou a instituição como Banco Master. O que veio a seguir é considerado pelos investigadores uma fraude bilionária sem precedentes.

Em cinco anos, os ativos declarados do banco saltaram de R$ 3,7 bilhões para R$ 82 bilhões — um crescimento de mais de 2.000%. Para qualquer analista financeiro, o número era impossível sem truques contábeis. Para as autoridades, levou anos demais para agir. A comparação com Jeffrey Epstein começa aqui: assim como Epstein construiu uma fortuna de origem obscura e crescimento acelerado, Vorçaro ergueu um império com ativos que, na prática, eram em grande parte ficção.

Crescimento dos Ativos do Banco Master (2019–2024)

AnoAtivos DeclaradosCrescimento
2019R$ 3,7 bilhões
2020R$ 9,2 bilhões+149%
2021R$ 18,4 bilhões+100%
2022R$ 36,1 bilhões+96%
2023R$ 58,7 bilhões+63%
2024R$ 82 bilhões+40% / +2.116% total

O Paralelo com Epstein

Jeffrey Epstein construiu uma fortuna estimada em US$ 600 milhões sem clientes identificados, sem modelo de negócio claro e sem histórico profissional que justificasse a escala. Daniel Vorçaro fez o equivalente no Brasil: um crescimento de 2.000% em cinco anos, com ativos que os investigadores dizem ser em grande parte fictícios. Em ambos os casos, a fortuna inexplicável era sustentada por uma rede de proteção política — não por resultados reais.

Como Funcionava a Fraude Bilionária

O esquema do Banco Master tinha camadas. Na superfície, era um banco que oferecia CDBs com rendimento de até 140% do CDI — quando o mercado pagava cerca de 100%. A promessa atraía investidores pessoas físicas que, sabendo que o FGC garantia até R$ 250 mil por CPF, se sentiam protegidos. Por baixo, os recursos eram desviados para um labirinto de fundos inflados e empresas fantasmas.

CDBs a 140% do CDI

Taxas impossíveis de honrar sem pirâmide financeira. Atraíam depositantes que confiavam na cobertura do FGC.

Empresas Fantasmas

SX 016 Empreendimentos: capital de R$ 100, sem atividade real. Recebia empréstimos fictícios que criavam ativos falsos nos balanços.

Fundos Inflados

High Tower: comprou carteiras por R$ 850 mi e declarou R$ 10 bilhões. Multiplicação de 12x nos papéis, inexistente na realidade.

A estrutura usava a gestora Reag Investimentos e a VARESE para alocar recursos captados em fundos com ativos artificialmente inflados. O fundo High Tower, por exemplo, comprou carteiras de crédito do extinto Banco do Estado de Santa Catarina (Besc) por R$ 850 milhões, mas declarou que esses ativos valiam R$ 10 bilhões — uma inflação de 1.076%. Esses ativos fictícios eram então usados como garantia em operações com outras instituições, contaminando o sistema.

O BRB (Banco de Brasília), banco público do Distrito Federal, foi o principal parceiro institucional do esquema. Entre julho de 2024 e outubro de 2025, as duas instituições realizaram operações que somaram R$ 16,7 bilhões — mesmo após o Banco Central emitir alertas. A continuidade das operações, apesar dos alertas do regulador, é um dos pontos mais investigados: como o Banco Central emitiu alertas e as operações continuaram?

Linha do Tempo da Fraude

2018
Vorçaro compra o Banco Máxima de Saul Sabba. Início da estratégia de crescimento acelerado.
2019–2021
Ativos saltam de R$ 3,7 bi para R$ 18,4 bi. CDBs a 140% do CDI passam a atrair depositantes em massa. Banco rebatizado como Master.
2023–2024
Contratos milionários com escritórios de familiares de ministros do STF. Reunião secreta com Lula mediada por Mantega. Operações com BRB somam R$ 16,7 bi.
Nov/2025
Operação Compliance Zero: Vorçaro preso no Aeroporto de Guarulhos tentando embarcar para Dubai. Solto 11 dias depois com tornozeleira eletrônica.
Jan/2026
2ª fase da Operação Compliance Zero. FGC já pagou R$ 37,2 bilhões (92% do total estimado). Oito bancos liquidados.
Fev/2026
iPhone descriptografado pela PF. Toffoli pede afastamento do caso no STF (12/02). TCU pede identificação das autoridades nas festas. Depoimentos marcados para 23-24/02.

O resultado: rombo estimado em R$ 47 a R$ 52 bilhões no FGC — o maior da história do Brasil, superando o escândalo das Americanas (R$ 40 bilhões, 2023) e o do Banco Panamericano (R$ 4,3 bilhões, 2010). O FGC já desembolsou R$ 37,2 bilhões até 19 de fevereiro de 2026.

“Cine Trancoso” — As Festas Secretas com Autoridades dos 3 Poderes

Enquanto a fraude financeira crescia, Vorçaro construía sua rede de proteção política de forma ainda mais perturbadora. Em Trancoso, Bahia — reduto turístico de luxo no sul do estado — ele organizava festas que a Polícia Federal descreve em seus relatórios oficiais como “orgias”. Os convidados: ministros do STF, senadores, ministros de governo, autoridades dos três poderes.

O Protocolo das Festas de Trancoso

01
Celulares Proibidos dos Convidados
Autoridades chegavam sem celulares. Apenas as câmeras de Vorçaro registravam.
02
Câmeras de Vorçaro em Todo Lugar
Câmeras de segurança instaladas nos imóveis capturavam tudo. Material armazenado no iPhone e em servidores.
03
Mulheres Estrangeiras (4 por convidado)
Ucrânia, Suécia, Noruega, Suíça, Holanda. Transportadas em jatos particulares. Não falavam português — deliberadamente.
04
Monopólio de Registros
Só Vorçaro tinha o material. A assimetria era o ponto: ele sabia de tudo sobre todos. Os outros sabiam que ele sabia.

A escolha de mulheres estrangeiras que não falavam português não foi acidental. Os investigadores chamam isso de “isolamento informacional”: sem dominar o idioma, elas não podiam identificar os convidados, não entendiam as conversas e negociações que ocorriam, e teriam dificuldade em prestar depoimentos coerentes à Polícia Federal brasileira. Era uma camada de proteção adicional — as testemunhas oculares mais diretas eram as menos capazes de testemunhar.

O “P das Galáxias” do Judiciário

Em documentos internos da Reag Investimentos, um executivo se referiu a um influente membro do Poder Judiciário que comparecia às festas de Vorçaro como “pica das galáxias”. O apelido foi discutido em reunião do conselho da Reag. A identidade do magistrado não foi confirmada oficialmente até a data de publicação deste artigo, mas indica a presença de uma figura de altíssimo escalão do Judiciário nos eventos de Trancoso.

TCU Pede Investigação

Em fevereiro de 2026, o Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (TCU) fez representação formal solicitando a identificação de todas as autoridades públicas que participaram das festas de Trancoso. O pedido será relatado pelo ministro Jorge Oliveira. É o equivalente institucional de uma lista de passageiros do “Lolita Express” de Epstein.

Comparação Direta com o Modus Operandi de Epstein

Jeffrey Epstein
  • • Ilha Little St. James (Ilhas Virgens EUA)
  • • Câmeras em todos os cômodos
  • • Celulares proibidos para convidados
  • • Mulheres recrutadas para os eventos
  • • “Black Book” com registros de tudo
  • • Convidados: príncipes, presidentes, magnatas
Daniel Vorçaro
  • • Trancoso, Bahia
  • • Câmeras nos imóveis + iPhone
  • • Celulares proibidos para convidados
  • • Mulheres estrangeiras transportadas em jatos
  • • iPhone com registros de tudo
  • • Convidados: ministros do STF, senadores, gov. federal

O iPhone Descriptografado — O Que a PF Encontrou

Durante os depoimentos da Operação Compliance Zero, Vorçaro se recusou a desbloquear o iPhone e a fornecer a senha. A Polícia Federal então recorreu a softwares especializados de quebra de criptografia — ferramentas como GrayKey ou Cellebrite, usadas por forças policiais em todo o mundo — para acessar o conteúdo do aparelho. O processo levou meses. Em fevereiro de 2026, os dados foram finalmente extraídos.

O Que Estava no iPhone

Mensagens comprometedoras com referências a pagamentos ao Resort Tayaya (ligado a familiares de Toffoli) — incluindo a mensagem ao cunhado Fabiano Zettel confirmando R$ 20 mi pagos e mais R$ 15 mi a enviar (total: R$ 35 mi).
Vídeos e imagens das festas em imóveis de luxo em Trancoso, com autoridades dos três poderes presentes.
Contrato de R$ 129 milhões (cópia digital) com o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes — R$ 3,6 milhões mensais, de 2024 a 2027. Mensagens de Vorçaro dizendo que os pagamentos “não podiam deixar de ser feitos sob hipótese alguma”.
Registros de reuniões com figuras dos três poderes, incluindo detalhes dos encontros com Toffoli (10 a 12 vezes entre 2023-2025).
Vídeos das câmeras de segurança dos imóveis de Trancoso, analisados em conjunto com o material do iPhone.

Os dados foram compartilhados com o Supremo Tribunal Federal e com a Procuradoria-Geral da República. O material do iPhone é tratado pelos investigadores como o equivalente brasileiro do “cofre de Epstein” — o conjunto de gravações e documentos que Epstein supostamente mantinha como seguro de vida. A diferença: o cofre de Epstein nunca foi completamente revelado ao público. O iPhone de Vorçaro foi descriptografado com o dono ainda vivo.

O paralelo com os “arquivos Epstein”: Assim como o DOJ liberou 3,5 milhões de documentos do caso Epstein em janeiro de 2026, os dados do iPhone de Vorçaro representam um arquivo digital de comprometimento mútuo. A escala é diferente — mas o princípio é o mesmo: registros sistemáticos sobre figuras poderosas, mantidos para garantia de proteção.

A Rede de Proteção — Ministros e Políticos no Caso

Assim como Epstein construiu uma rede de proteção com figuras do governo americano, da realeza britânica e do mundo financeiro global, Vorçaro construiu a sua versão brasileira. A diferença: a rede de Vorçaro era mais concentrada e mais direta — ministros do STF, ex-ministros de Estado, senadores e o próprio presidente.

STF — JUDICIÁRIODias Toffoli
Encontros Documentados
10 a 12 reuniões
2023–2025
Valor Investigado
R$ 35 milhões
Resort Tayaya (familiares)
Status no STF
Afastado voluntariamente
12 de fevereiro de 2026

Toffoli era o relator do caso Master no STF. Após a descriptografia do iPhone revelar mensagens conectando os dois, pediu afastamento. Em mensagem ao cunhado Fabiano Zettel, Vorçaro confirma ter pago R$ 20 mi ao resort gerido por familiares de Toffoli e anuncia mais R$ 15 mi. Toffoli nega amizade com Vorçaro e afirma que recebeu apenas dividendos legítimos da empresa Maridt.

STF — JUDICIÁRIOAlexandre de Moraes
Vínculo Investigado
Escritório da esposa
Viviane Barci de Moraes
Valor do Contrato
R$ 129 milhões
R$ 3,6 mi/mês (2024–2027)
Encontro Investigado
Na mansão de Vorçaro
Com presidente do BRB

O contrato milionário não especificava causas concretas — cobria representação “onde quer que fosse necessário”. O escritório representou o banco em processo sigiloso no STF. Mensagens no iPhone mostram Vorçaro ordenando que os pagamentos ao escritório “não podiam deixar de ser feitos sob hipótese alguma”. Moraes e sua assessoria negam irregularidades.

EX-STF / EX-MINISTRORicardo Lewandowski
Cargo na Época
Ex-ministro STF
Ex-ministro da Justiça
Valor Recebido
R$ 5 mi – R$ 6,5 mi
Consultoria jurídica
Quem Indicou
Jaques Wagner
Senador PT-BA

Escritório familiar de Lewandowski firmou contrato com mensalidades de R$ 250 mil a partir de 2023. A contratação foi indicada pelo senador Jaques Wagner. As investigações apuram se o valor recebido configurou corrupção, especialmente considerando seus cargos públicos anteriores.

EXECUTIVO FEDERALGuido Mantega
Cargo Anterior
Ministro da Fazenda
Governos Lula e Dilma
Remuneração
~R$ 1 mi/mês
Consultor do Banco Master
Ação Central
Levou Vorçaro ao Lula
Reunião não registrada

Mantega foi indicado ao banco por Jaques Wagner. Além da consultoria milionária, levou Vorçaro ao Palácio do Planalto em dezembro de 2024 para reunião com o presidente Lula que não constou na agenda oficial da Presidência. A reunião é investigada como possível interferência política para proteger o banco das ações regulatórias do Banco Central.

SENADO — LEGISLATIVOJaques Wagner
Cargo Atual
Senador PT-BA
Líder do governo Lula no Senado
Papel no Esquema
Articulador político central
Indicou Mantega e Lewandowski

Wagner é apontado como o principal articulador político de Vorçaro dentro do governo federal. Indicou tanto Guido Mantega quanto Ricardo Lewandowski para contratos milionários com o Banco Master. Sua posição como líder governista no Senado tornava essas indicações especialmente valiosas — e sua rede de conexões foi a porta de entrada de Vorçaro no coração do governo.

PRESIDÊNCIAPresidente Lula
Reunião
Palácio do Planalto
Dezembro de 2024
Problema Central
Sem registro em agenda
Mediada por Guido Mantega

O presidente Lula recebeu Daniel Vorçaro no Planalto em reunião que violou as normas de transparência da agenda presidencial. A ausência de registro é, por si só, uma irregularidade. A investigação apura o que foi discutido na reunião e se houve pressão para interferir nas ações do Banco Central contra o Banco Master.

O Paralelo com Jeffrey Epstein — “Captura” pelo Comprometimento Mútuo

O mecanismo central que conecta Epstein e Vorçaro é o que analistas chamam de “captura pelo comprometimento mútuo”: criar situações em que a pessoa poderosa se torna cúmplice — voluntária ou involuntariamente — e passa a ter interesse em proteger o organizador. Quem denuncia se auto-denuncia. Quem investiga arrisca ser investigado. O escudo político é mantido pelo medo.

Epstein x Vorçaro: Comparação Direta

CaracterísticaJeffrey EpsteinDaniel Vorçaro
PerfilFinancista americano, origem obscura, fortuna inexplicávelBanqueiro brasileiro, crescimento de 2.000% em 5 anos
Instrumento de influênciaFestas na ilha Little St. James (Ilhas Virgens EUA)Festas em Trancoso, Bahia (“Cine Trancoso”)
Arquivo de provas“Black Book”, gravações nos imóveisiPhone descriptografado, câmeras de segurança
Mulheres recrutadasJovens, muitas menores de idade, recrutadas via redeEstrangeiras (Ucrânia, Suécia, Noruega, Suíça, Holanda)
Blindagem políticaAcordo beneficente com procurador de Miami (2008); proteção de figuras globaisMinistros do STF, governo Lula, “Bancada do Master” no Congresso
Escândalo financeiroHerança de US$ 600 mi de origem nunca explicadaRombo de R$ 52 bilhões no FGC; 8 bancos liquidados
Crime centralTráfico e abuso sexual de menoresFraude financeira sistêmica + corrupção de autoridades
Situação finalMorto em 2019 na prisão (suicídio oficial); arquivos liberados em 2026Vivo, com tornozeleira, depoimentos em 23-24/02/2026

A Diferença Crucial

Jeffrey Epstein morreu antes que seus arquivos fossem revelados ao público. O “cofre” de provas que ele supostamente mantinha nunca foi completamente aberto. Daniel Vorçaro está vivo. Seu iPhone foi descriptografado. Seus depoimentos estão marcados. E, diferentemente de Epstein, ele sinalizou que vai responder às perguntas — não invocar o direito ao silêncio. Em Brasília, isso é tratado como a possibilidade mais temida de todos os envolvidos no caso.

“Não Ficará Calado” — Os Depoimentos Que Aterrorizam Brasília

A defesa de Daniel Vorçaro confirmou que ele não solicitará habeas corpus para permanecer em silêncio. Em casos de grande repercussão envolvendo poderosos, a estratégia padrão é invocar o direito ao silêncio. Vorçaro vai falar. E com o iPhone descriptografado na mão dos investigadores, qualquer inconsistência em seu depoimento pode ser imediatamente confrontada.

Depoimento 1
23/02/2026
CPMI do INSS

Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS, que ampliou seu escopo para incluir o Banco Master. Transmissão ao vivo pelo TV Senado e TV Câmara.

Depoimento 2
24/02/2026
CAE do Senado

Comissão de Assuntos Econômicos do Senado Federal. Dois depoimentos em dias seguidos, sem espaço para inconsistências entre os dois.

O Que Brasília Teme

A Gazeta do Povo noticiou que a “possível delação de Vorçaro esquenta o clima em Brasília”. O iPhone descriptografado e os registros internos do esquema dão a Vorçaro um arsenal de informações capazes de comprometer ministros, senadores, governadores e outros agentes públicos. A combinação de evidências digitais irrefutáveis e a disposição de falar torna o caso potencialmente explosivo para figuras dos três poderes.

A estratégia de colaborar — ao contrário do silêncio — sugere que Vorçaro pode estar buscando uma delação premiada com a Procuradoria-Geral da República, trocando informações sobre a rede de proteção por benefícios penais. Se isso acontecer, o caso pode se tornar o maior processo de desmantelamento de rede de corrupção da história brasileira.

Acompanhe os Depoimentos ao Vivo

TV Senado, TV Câmara e plataformas de streaming dos principais veículos de imprensa. 23 e 24 de fevereiro de 2026.

Perguntas Frequentes

Quem é Daniel Vorçaro, dono do Banco Master?
Daniel Vorçaro nasceu em 6 de outubro de 1983 em Belo Horizonte, Minas Gerais. É neto de Serafim Vorçaro, imigrante italiano, e filho de Henrique Vorçaro, corretor imobiliário. A família tem ligação histórica com a Igreja Batista da Lagoinha, uma das maiores igrejas evangélicas do Brasil.
Qual é a formação acadêmica de Daniel Vorçaro?
Vorçaro é formado em Administração e concluiu um MBA pelo IBMEC em 2007. A formação em gestão de negócios foi a base para sua atuação no mercado imobiliário e, posteriormente, no setor bancário. Apesar do currículo convencional, sua ascensão no sistema financeiro ocorreu a velocidade incomum.
Como Daniel Vorçaro construiu seu império financeiro antes do Banco Master?
Antes de entrar no setor bancário, Vorçaro atuou no mercado imobiliário por meio da Viking Participações. Também detinha participações na Biomm, empresa do setor biofarmacêutico, e na Veste S.A. Estilo, no setor de moda. Esse portfólio diversificado já sinalizava seu apetite por aquisições em setores distintos.
Como Vorçaro adquiriu o Banco Master?
Em 2018, Daniel Vorçaro comprou o Banco Máxima de Saul Sabba. Em 2021, rebatizou a instituição como Banco Master. A aquisição marcou sua entrada definitiva no sistema financeiro regulado e foi o ponto de partida para uma expansão que, nos cinco anos seguintes, chamaria a atenção das autoridades regulatórias.
Qual foi o crescimento do Banco Master entre 2019 e 2024?
Os ativos do Banco Master saltaram de R$ 3,7 bilhões em 2019 para R$ 82 bilhões em 2024, um crescimento de aproximadamente 2.000% em apenas cinco anos. Esse ritmo de expansão foi considerado atípico e desproporcional ao contexto do mercado. Investigadores apontam que tal crescimento só foi possível por meio de práticas fraudulentas.
Como funcionava o esquema de captação de recursos do Banco Master?
O Banco Master captava recursos por meio da emissão de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com remuneração de até 140% do CDI, enquanto bancos tradicionais ofereciam cerca de 100% do CDI. Essa taxa acima do mercado atraía massivamente investidores pessoa física, cujos depósitos eram cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC). A estratégia criava um passivo crescente lastreado em garantias públicas do fundo.
Para onde iam os recursos captados pelo Banco Master?
Os recursos captados eram direcionados para empréstimos a empresas fantasmas e para fundos administrados pela Reag Investimentos e pela gestora VARESE. Esses fundos abrigavam ativos artificialmente inflados que serviam de garantia para novas operações. O ciclo permitia que o banco continuasse captando depósitos enquanto o rombo crescia internamente.
O que eram as empresas fantasmas usadas pelo Banco Master?
Investigadores identificaram empresas criadas com capital social irrisório, como a SX 016 Empreendimentos e Participações, aberta em 4 de novembro de 2024 com capital de apenas R$ 100. Essas empresas recebiam empréstimos fictícios do banco, sem atividade econômica real. A operação servia para movimentar recursos de forma disfarçada dentro do esquema fraudulento.
Como os fundos da Reag e da VARESE inflavam artificialmente os ativos?
Um exemplo documentado é o fundo High Tower, que adquiriu carteiras de crédito do extinto Banco do Estado de Santa Catarina (Besc) por R$ 850 milhões, mas declarou que esses ativos valiam R$ 10 bilhões. Essa superavaliação artificial criava um colchão contábil falso dentro dos fundos. Os ativos inflados eram então usados em novas operações com instituições financeiras parceiras.
Qual foi o papel do BRB (Banco de Brasília) no esquema?
O BRB, banco público do Distrito Federal, adquiriu carteiras fictícias vendidas pelo Banco Master. Entre julho de 2024 e outubro de 2025, as duas instituições realizaram operações que somaram R$ 16,7 bilhões, mesmo após alertas emitidos pelo Banco Central. A participação do BRB ampliou o alcance do esquema e levantou questionamentos sobre o papel de autoridades políticas que intermediaram a relação entre os dois bancos.
Qual é o rombo financeiro estimado do caso Banco Master?
O desvio estimado no caso Banco Master é de R$ 11,5 bilhões. O rombo total no Fundo Garantidor de Créditos (FGC) fica entre R$ 47 bilhões e R$ 52 bilhões, tornando-o o maior da história do Brasil, superando o escândalo das Americanas, que causou um rombo de R$ 40 bilhões em 2023. Até 19 de fevereiro de 2026, o FGC já havia pago R$ 37,2 bilhões, equivalente a 92% do total estimado.
Quantas instituições financeiras foram liquidadas pelo Banco Central por causa do esquema?
Oito instituições financeiras foram liquidadas pelo Banco Central em razão de conexões com o esquema envolvendo o Banco Master. As liquidações foram um reflexo da extensão da fraude, que se ramificou por diferentes entidades do sistema financeiro. O processo de liquidação visa proteger credores e preservar a integridade do sistema.
O que foi a Operação Compliance Zero?
A Operação Compliance Zero foi deflagrada pela Polícia Federal em novembro de 2025 para investigar o esquema fraudulento do Banco Master. A operação resultou na prisão de Daniel Vorçaro no Aeroporto Internacional de Guarulhos em 17 de novembro de 2025, quando ele tentava embarcar em um jato particular com destino a Dubai. Uma segunda fase da operação foi realizada em 14 de janeiro de 2026.
O que aconteceu com Daniel Vorçaro após sua prisão em novembro de 2025?
Vorçaro foi preso em 17 de novembro de 2025 no Aeroporto de Guarulhos durante a Operação Compliance Zero. Em 28 de novembro de 2025, uma desembargadora do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) revogou a prisão preventiva. Vorçaro foi solto com medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica, apreensão do passaporte e proibição de contato com investigados.
Quais medidas cautelares foram impostas a Daniel Vorçaro?
Após a revogação da prisão preventiva, Vorçaro passou a cumprir medidas cautelares que incluem o uso de tornozeleira eletrônica, apreensão do passaporte, proibição de contato com demais investigados e quebra de sigilos bancário, fiscal e telefônico. As medidas visam garantir que ele não fuja do país nem interfira nas investigações em andamento.

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Quem é Daniel Vorçaro, dono do Banco Master?

Daniel Vorçaro nasceu em 6 de outubro de 1983 em Belo Horizonte, Minas Gerais. É neto de Serafim Vorçaro, imigrante italiano, e filho de Henrique Vorçaro, corretor imobiliário. A família tem ligação histórica com a Igreja Batista da Lagoinha, uma das maiores igrejas evangélicas do Brasil.

Qual é a formação acadêmica de Daniel Vorçaro?

Vorçaro é formado em Administração e concluiu um MBA pelo IBMEC em 2007. A formação em gestão de negócios foi a base para sua atuação no mercado imobiliário e, posteriormente, no setor bancário. Apesar do currículo convencional, sua ascensão no sistema financeiro ocorreu a velocidade incomum.

Como Daniel Vorçaro construiu seu império financeiro antes do Banco Master?

Antes de entrar no setor bancário, Vorçaro atuou no mercado imobiliário por meio da Viking Participações. Também detinha participações na Biomm, empresa do setor biofarmacêutico, e na Veste S.A. Estilo, no setor de moda. Esse portfólio diversificado já sinalizava seu apetite por aquisições em setores distintos.

Como Vorçaro adquiriu o Banco Master?

Em 2018, Daniel Vorçaro comprou o Banco Máxima de Saul Sabba. Em 2021, rebatizou a instituição como Banco Master. A aquisição marcou sua entrada definitiva no sistema financeiro regulado e foi o ponto de partida para uma expansão que, nos cinco anos seguintes, chamaria a atenção das autoridades regulatórias.

Qual foi o crescimento do Banco Master entre 2019 e 2024?

Os ativos do Banco Master saltaram de R$ 3,7 bilhões em 2019 para R$ 82 bilhões em 2024, um crescimento de aproximadamente 2.000% em apenas cinco anos. Esse ritmo de expansão foi considerado atípico e desproporcional ao contexto do mercado. Investigadores apontam que tal crescimento só foi possível por meio de práticas fraudulentas.

Como funcionava o esquema de captação de recursos do Banco Master?

O Banco Master captava recursos por meio da emissão de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com remuneração de até 140% do CDI, enquanto bancos tradicionais ofereciam cerca de 100% do CDI. Essa taxa acima do mercado atraía massivamente investidores pessoa física, cujos depósitos eram cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC). A estratégia criava um passivo crescente lastreado em garantias públicas do fundo.

Para onde iam os recursos captados pelo Banco Master?

Os recursos captados eram direcionados para empréstimos a empresas fantasmas e para fundos administrados pela Reag Investimentos e pela gestora VARESE. Esses fundos abrigavam ativos artificialmente inflados que serviam de garantia para novas operações. O ciclo permitia que o banco continuasse captando depósitos enquanto o rombo crescia internamente.

O que eram as empresas fantasmas usadas pelo Banco Master?

Investigadores identificaram empresas criadas com capital social irrisório, como a SX 016 Empreendimentos e Participações, aberta em 4 de novembro de 2024 com capital de apenas R$ 100. Essas empresas recebiam empréstimos fictícios do banco, sem atividade econômica real. A operação servia para movimentar recursos de forma disfarçada dentro do esquema fraudulento.

Como os fundos da Reag e da VARESE inflavam artificialmente os ativos?

Um exemplo documentado é o fundo High Tower, que adquiriu carteiras de crédito do extinto Banco do Estado de Santa Catarina (Besc) por R$ 850 milhões, mas declarou que esses ativos valiam R$ 10 bilhões. Essa superavaliação artificial criava um colchão contábil falso dentro dos fundos. Os ativos inflados eram então usados em novas operações com instituições financeiras parceiras.

Qual foi o papel do BRB (Banco de Brasília) no esquema?

O BRB, banco público do Distrito Federal, adquiriu carteiras fictícias vendidas pelo Banco Master. Entre julho de 2024 e outubro de 2025, as duas instituições realizaram operações que somaram R$ 16,7 bilhões, mesmo após alertas emitidos pelo Banco Central. A participação do BRB ampliou o alcance do esquema e levantou questionamentos sobre o papel de autoridades políticas que intermediaram a relação entre os dois bancos.

Qual é o rombo financeiro estimado do caso Banco Master?

O desvio estimado no caso Banco Master é de R$ 11,5 bilhões. O rombo total no Fundo Garantidor de Créditos (FGC) fica entre R$ 47 bilhões e R$ 52 bilhões, tornando-o o maior da história do Brasil, superando o escândalo das Americanas, que causou um rombo de R$ 40 bilhões em 2023. Até 19 de fevereiro de 2026, o FGC já havia pago R$ 37,2 bilhões, equivalente a 92% do total estimado.

Quantas instituições financeiras foram liquidadas pelo Banco Central por causa do esquema?

Oito instituições financeiras foram liquidadas pelo Banco Central em razão de conexões com o esquema envolvendo o Banco Master. As liquidações foram um reflexo da extensão da fraude, que se ramificou por diferentes entidades do sistema financeiro. O processo de liquidação visa proteger credores e preservar a integridade do sistema.

O que foi a Operação Compliance Zero?

A Operação Compliance Zero foi deflagrada pela Polícia Federal em novembro de 2025 para investigar o esquema fraudulento do Banco Master. A operação resultou na prisão de Daniel Vorçaro no Aeroporto Internacional de Guarulhos em 17 de novembro de 2025, quando ele tentava embarcar em um jato particular com destino a Dubai. Uma segunda fase da operação foi realizada em 14 de janeiro de 2026.

O que aconteceu com Daniel Vorçaro após sua prisão em novembro de 2025?

Vorçaro foi preso em 17 de novembro de 2025 no Aeroporto de Guarulhos durante a Operação Compliance Zero. Em 28 de novembro de 2025, uma desembargadora do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) revogou a prisão preventiva. Vorçaro foi solto com medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica, apreensão do passaporte e proibição de contato com investigados.

Quais medidas cautelares foram impostas a Daniel Vorçaro?

Após a revogação da prisão preventiva, Vorçaro passou a cumprir medidas cautelares que incluem o uso de tornozeleira eletrônica, apreensão do passaporte, proibição de contato com demais investigados e quebra de sigilos bancário, fiscal e telefônico. As medidas visam garantir que ele não fuja do país nem interfira nas investigações em andamento.

O que são as festas "Cine Trancoso" e qual era sua função no esquema?

As "Cine Trancoso" eram festas luxuosas e sigilosas realizadas em Trancoso, no sul da Bahia, organizadas por Daniel Vorçaro. Os eventos reuniam autoridades dos três Poderes da República — Executivo, Legislativo e Judiciário — em um ambiente de absoluto sigilo. Investigadores da Polícia Federal descrevem os encontros como "orgias" em seus relatórios oficiais, e acreditam que as festas serviam para criar vínculos comprometedores com figuras de poder.

Por que celulares eram proibidos nas festas de Vorçaro em Trancoso?

O uso de celulares era expressamente proibido nas festas organizadas por Vorçaro em Trancoso. Ao mesmo tempo, o próprio Vorçaro mantinha câmeras de segurança instaladas nos imóveis e guardava registros internos dos eventos. Investigadores concluíram que essa assimetria — proibir registros externos enquanto se mantinham os próprios — era deliberada para criar um arquivo de material potencialmente comprometedor sobre os participantes.

Quem eram as mulheres presentes nas festas de Trancoso?

Cada participante das festas tinha ao menos quatro mulheres estrangeiras à sua disposição, originárias de países como Ucrânia, Suécia, Noruega, Suíça e Holanda. As mulheres eram transportadas do exterior diretamente para os eventos em jatos particulares. Elas eram escolhidas deliberadamente por não falarem português, o que os investigadores chamam de "isolamento informacional": sem dominar o idioma, elas não poderiam testemunhar de forma eficaz sobre o que presenciavam.

O que significa "isolamento informacional" nas festas de Vorçaro?

O termo "isolamento informacional" é usado por investigadores para descrever a estratégia de selecionar mulheres estrangeiras que não falavam português para participar das festas de Trancoso. A barreira linguística impedia que essas mulheres compreendessem plenamente as conversas e negociações entre os participantes. Mesmo que quisessem prestar depoimento, sua capacidade de testemunhar sobre assuntos específicos seria severamente limitada.

O que o Ministério Público junto ao TCU pediu em relação às festas de Trancoso?

Em fevereiro de 2026, o Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (TCU) fez uma representação formal solicitando a identificação de todas as autoridades públicas que participaram das festas de Trancoso. O pedido será relatado pelo ministro Jorge Oliveira. A iniciativa é um desdobramento das investigações da Polícia Federal sobre o uso das festas como instrumento de cooptação de agentes do Estado.

Quem é o "P das Galáxias" mencionado em documentos internos da Reag?

Em documentos internos da Reag Investimentos, um executivo da empresa se referiu a um influente membro do Poder Judiciário que comparecia às festas de Vorçaro como "pica das galáxias". O apelido foi discutido em reunião do conselho da Reag. O nome do magistrado não foi confirmado publicamente até fevereiro de 2026, mas a expressão indica a presença de uma figura de alto escalão do Judiciário nos eventos.

Por que o iPhone de Vorçaro era tão importante para as investigações?

O iPhone de Daniel Vorçaro foi apontado pela Polícia Federal como peça central do inquérito por conter mensagens comprometedoras, registros de reuniões com figuras dos três Poderes, vídeos e imagens das festas nos imóveis de luxo, além de referências a pagamentos a autoridades. Durante depoimentos, Vorçaro se recusou a desbloquear o aparelho e a fornecer a senha. A importância do material motivou esforços tecnológicos extraordinários para acessar o conteúdo.

Como a Polícia Federal conseguiu acessar o iPhone de Vorçaro?

Vorçaro havia protegido o iPhone com a criptografia padrão da Apple acrescida de uma camada adicional de proteção. Em fevereiro de 2026, a Polícia Federal utilizou softwares especializados de quebra de criptografia, com capacidade de recuperar inclusive dados deletados, para acessar o conteúdo do aparelho. Os dados extraídos foram compartilhados com o Supremo Tribunal Federal e com a Procuradoria-Geral da República.

O que foi encontrado no iPhone de Vorçaro após a descriptografia?

No iPhone de Vorçaro, a Polícia Federal encontrou mensagens com referências a pagamentos a autoridades, incluindo menções ao Resort Tayaya e ao ministro Dias Toffoli. Também foram recuperados vídeos e imagens das festas em imóveis de luxo, registros de reuniões com figuras dos três Poderes e uma cópia digital de um contrato de R$ 129 milhões firmado com o escritório de advocacia da esposa do ministro Alexandre de Moraes. A PF também analisou vídeos das câmeras de segurança dos imóveis.

Qual era a relação entre Vorçaro e o ministro Dias Toffoli?

A Polícia Federal aponta que Vorçaro e o ministro Dias Toffoli do Supremo Tribunal Federal se encontraram ao menos entre 10 e 12 vezes entre 2023 e 2025. Toffoli era o relator do caso Master no STF até 12 de fevereiro de 2026, quando pediu afastamento voluntário do processo. Mensagens recuperadas do iPhone de Vorçaro fazem referência a pagamentos feitos ao Resort Tayaya, gerido por familiares de Toffoli.

Qual foi a suposta ligação financeira entre Vorçaro e o Resort Tayaya, de familiares de Toffoli?

Mensagens do iPhone de Vorçaro, em conversa com seu cunhado Fabiano Zettel, registram o empresário afirmando ter pagado R$ 20 milhões ao Resort Tayaya e indicando o envio de mais R$ 15 milhões, totalizando R$ 35 milhões. O Resort Tayaya é gerido por familiares do ministro Dias Toffoli. Toffoli nega amizade com Vorçaro e afirma ter recebido apenas dividendos da empresa Maridt como acionista, valores declarados à Receita Federal.

Por que Toffoli pediu afastamento do caso Master no STF?

Em 12 de fevereiro de 2026, o ministro Dias Toffoli solicitou voluntariamente seu afastamento do caso Banco Master no Supremo Tribunal Federal. O pedido veio dias após a descriptografia do iPhone de Vorçaro revelar mensagens que o conectavam ao empresário. Com o afastamento de Toffoli, a relatoria passou ao ministro André Mendonça.

Qual foi o contrato entre o Banco Master e o escritório da esposa de Alexandre de Moraes?

O escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, firmou um contrato de R$ 129 milhões com o Banco Master, com mensalidades de R$ 3,6 milhões cobrindo o período de 2024 a 2027. O contrato não especificava causas concretas, estabelecendo genericamente que o escritório representaria o Master "onde quer que fosse necessário". O escritório efetivamente representou o banco em um processo sigiloso no STF.

O que as mensagens do iPhone revelam sobre os pagamentos ao escritório da esposa de Moraes?

Mensagens recuperadas do iPhone de Vorçaro mostram que ele ordenava a seus subordinados que os pagamentos ao escritório de Viviane Barci de Moraes "não podiam deixar de ser feitos sob hipótese alguma". A instrução reflete a prioridade que o empresário atribuía à manutenção do vínculo com o escritório ligado ao ministro Alexandre de Moraes. O contrato milionário era tratado internamente como uma obrigação inegociável.

Alexandre de Moraes se encontrou com representantes do BRB na mansão de Vorçaro?

De acordo com as investigações, o ministro Alexandre de Moraes se encontrou com o presidente do BRB (Banco de Brasília) na mansão de Daniel Vorçaro. Esse encontro ocorreu no contexto das negociações entre o Banco Master e o BRB, que resultaram em operações bilionárias questionadas pelo Banco Central. O episódio é investigado como parte do padrão de uso de festas e reuniões privadas para influenciar decisões de agentes públicos.

Qual foi o papel de Ricardo Lewandowski no caso Banco Master?

Ricardo Lewandowski, ex-ministro do Supremo Tribunal Federal e ex-ministro da Justiça do governo Lula, teve seu escritório familiar contratado pelo Banco Master por consultoria jurídica. O contrato, firmado em 2023 com mensalidades de R$ 250 mil, rendeu ao escritório entre R$ 5 milhões e R$ 6,5 milhões. A contratação teria sido realizada por indicação do senador Jaques Wagner (PT-BA).

Qual foi o papel de Guido Mantega no caso Banco Master?

Guido Mantega, ex-ministro da Fazenda nos governos Lula e Dilma Rousseff, atuou como consultor do Banco Master com remuneração estimada em cerca de R$ 1 milhão por mês, indicado pelo senador Jaques Wagner. Além da consultoria, Mantega levou Daniel Vorçaro a uma reunião não registrada em agenda com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio do Planalto em dezembro de 2024. A reunião não constou na agenda oficial da Presidência da República.

O que é a "Bancada do Master"?

A expressão "Bancada do Master" designa o conjunto de senadores e deputados que, segundo as investigações, tinham contratos, indicações ou conexões com Vorçaro e atuaram nos bastidores para proteger o Banco Master de ações do Banco Central e da Polícia Federal. A Polícia Federal também investiga uma suposta campanha coordenada de críticas nas redes sociais contra o Banco Central, atribuída a essa rede de apoio político.

Qual foi o papel do senador Jaques Wagner no caso?

Jaques Wagner, senador pelo PT da Bahia e líder do governo Lula no Senado, é apontado como o principal articulador político de Daniel Vorçaro dentro do governo federal. Wagner indicou tanto Ricardo Lewandowski quanto Guido Mantega para contratos milionários com o Banco Master. Sua posição como líder governista no Senado tornava essas indicações especialmente valiosas para o empresário.

O presidente Lula se reuniu com Vorçaro?

Segundo as investigações, o presidente Lula recebeu Daniel Vorçaro no Palácio do Planalto em dezembro de 2024 em uma reunião que não foi registrada na agenda oficial da Presidência. O encontro foi intermediado por Guido Mantega, então consultor do Banco Master. A ausência de registro oficial da reunião contraria as normas de transparência que regem a agenda presidencial.

Quem são Ciro Nogueira e Antônio Rueda no contexto do caso?

Ciro Nogueira, senador pelo PP do Piauí, e Antônio Rueda, presidente do partido União Brasil, atuaram como interlocutores políticos de Daniel Vorçaro nas negociações para a venda do Banco Master ao BRB. A presença de políticos de diferentes espectros ideológicos — PT, PP e União Brasil — como articuladores do negócio ilustra a amplitude da rede de influência construída por Vorçaro.

Qual foi a conexão de Ibaneis Rocha com o caso?

Ibaneis Rocha, governador do Distrito Federal, é um dos nomes citados nas investigações. O próprio Vorçaro confirmou ter se encontrado com o governador. O encontro é relevante dado que o BRB, banco público do Distrito Federal, foi o principal parceiro institucional nas operações bilionárias questionadas do Banco Master, e Ibaneis Rocha exerce influência política sobre o banco.

Quando está previsto o depoimento de Vorçaro no Senado?

Vorçaro tem depoimento marcado para 24 de fevereiro de 2026 na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal. Além disso, a CPMI do INSS antecipou seu depoimento para 23 de fevereiro de 2026, após reunião realizada em 19 de fevereiro de 2026. Os depoimentos são aguardados com grande expectativa por investigadores e pela imprensa.

Vorçaro vai falar nos depoimentos no Senado?

A defesa de Daniel Vorçaro confirmou que ele não solicitará habeas corpus para permanecer em silêncio durante os depoimentos no Senado. A estratégia adotada é a de responder às perguntas formuladas pelos parlamentares, preservando apenas o direito de não produzir provas diretamente contra si mesmo. A postura contrasta com a de outros investigados em casos similares e acirra a expectativa em Brasília.

Por que a possível delação de Vorçaro preocupa figuras poderosas em Brasília?

A Gazeta do Povo noticiou que a "possível delação de Vorçaro esquenta o clima em Brasília", refletindo o temor de figuras influentes dos três Poderes diante dos depoimentos iminentes. O iPhone descriptografado e os registros internos do esquema podem fornecer a Vorçaro um arsenal de informações capazes de comprometer ministros, senadores, governadores e outros agentes públicos. A combinação de evidências digitais e a disposição de falar torna o caso potencialmente explosivo.

Por que Vorçaro é chamado de "Epstein brasileiro"?

A expressão "Epstein brasileiro" circula em relatórios da Polícia Federal e na mídia para descrever Daniel Vorçaro por conta das semelhanças entre o esquema dele e o do financista americano Jeffrey Epstein. Ambos eram financistas com acesso privilegiado a pessoas poderosas; ambos usavam festas com mulheres para criar situações comprometedoras com autoridades; e ambos mantinham arquivos — Epstein com seu "Black Book" e gravações, Vorçaro com o iPhone e câmeras nos imóveis — que funcionariam como instrumentos de poder e coerção.

Quais são as principais semelhanças entre Vorçaro e Jeffrey Epstein?

As semelhanças documentadas incluem: ambos eram financistas que construíram impérios com origem obscura; ambos usavam festas com mulheres como ferramenta de aproximação e comprometimento de figuras de poder; ambos mantinham registros sistemáticos sobre os participantes dos eventos; ambos tinham conexões políticas que retardaram investigações por anos; e ambos tiveram crimes financeiros ignorados por longo período graças à sua rede de proteção. A diferença central até o momento é que Vorçaro ainda está vivo e enfrenta julgamento.

Como os registros de Vorçaro se comparam ao "Black Book" de Epstein?

Jeffrey Epstein mantinha um caderno de endereços — o "Black Book" — e gravações de seus imóveis como instrumentos de influência sobre figuras poderosas. Vorçaro fez o equivalente digital e mais sofisticado: o iPhone com mensagens e referências a pagamentos, câmeras de segurança nos imóveis de Trancoso e registros internos administrados pela Reag. A descriptografia do iPhone em fevereiro de 2026 foi o equivalente ao vazamento do "Black Book" de Epstein, com potencial de expor uma rede de figuras públicas comprometidas.

Como os crimes financeiros de ambos foram ignorados por tanto tempo?

Tanto Epstein quanto Vorçaro se beneficiaram de redes de proteção formadas pelas próprias autoridades que deveriam fiscalizá-los. No caso de Epstein, procuradores americanos firmaram acordos favoráveis sob pressão de poderosos. No caso de Vorçaro, o Banco Central emitiu alertas sobre as operações com o BRB, mas as transações continuaram; ao mesmo tempo, a "Bancada do Master" atuava no Congresso para blindar o banco. Em ambos os casos, a captura de agentes do Estado foi a chave para a longevidade dos esquemas.

O que o Banco Central sabia sobre as operações do Banco Master antes da Operação Compliance Zero?

O Banco Central emitiu alertas sobre as operações entre o Banco Master e o BRB antes de novembro de 2025, quando a Operação Compliance Zero foi deflagrada. Apesar dessas advertências, as duas instituições continuaram realizando operações bilionárias que somaram R$ 16,7 bilhões entre julho de 2024 e outubro de 2025. A continuidade das operações mesmo após os alertas levantou questionamentos sobre a influência política exercida para neutralizar a ação do regulador.

O que aconteceu com os depositantes do Banco Master e instituições liquidadas?

Os depositantes das instituições liquidadas foram cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que até 19 de fevereiro de 2026 já havia desembolsado R$ 37,2 bilhões, equivalente a 92% do total estimado de R$ 47 a R$ 52 bilhões. Esse é o maior pagamento da história do FGC. A magnitude do desembolso esgotou uma parcela expressiva das reservas do fundo, que é mantido por contribuições de todas as instituições financeiras do país.

O que é o FGC e como o caso Master ameaçou sua sustentabilidade?

O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) é uma entidade privada sem fins lucrativos que garante depósitos de pessoas físicas em instituições financeiras até o limite de R$ 250 mil por CPF. O caso Master gerou um rombo de R$ 47 a R$ 52 bilhões no fundo, superando em mais de 20% o maior caso anterior, o escândalo das Americanas, e colocando em debate a sustentabilidade do modelo de garantia diante de bancos que captam em larga escala acima do mercado justamente por oferecer essa cobertura ao investidor.

Quem é Fabiano Zettel e qual seu papel no caso?

Fabiano Zettel é cunhado de Daniel Vorçaro. Mensagens recuperadas do iPhone de Vorçaro mostram conversas entre os dois sobre pagamentos ao Resort Tayaya, gerido por familiares do ministro Dias Toffoli. Em uma das mensagens, Vorçaro relata a Zettel que pagou R$ 20 milhões e anuncia o envio de mais R$ 15 milhões ao resort. Zettel aparece como interlocutor em conversas que são peça central do inquérito da Polícia Federal.

O que é a Reag Investimentos e qual seu papel no esquema?

A Reag Investimentos é uma gestora que administrava fundos para os quais o Banco Master direcionava recursos captados de depositantes. Dentro desses fundos, ativos eram artificialmente inflados para criar aparência de solidez patrimonial. Em documentos internos da Reag, foi encontrada a referência ao "pica das galáxias", apelido dado a um suposto membro influente do Judiciário presente nas festas de Vorçaro. A Reag é parte central da estrutura investigada na Operação Compliance Zero.

Como a SX 016 Empreendimentos e Participações se encaixa no esquema?

A SX 016 Empreendimentos e Participações é um exemplo de empresa criada especificamente para servir como veículo fictício no esquema. Aberta em 4 de novembro de 2024 com capital social de apenas R$ 100, a empresa não tinha estrutura real para realizar atividades econômicas. Apesar disso, recebia empréstimos do Banco Master, que usava essas operações fictícias para movimentar recursos e criar lançamentos contábeis que mascaravam o rombo.

Como funcionava o transporte das mulheres estrangeiras para as festas de Trancoso?

As mulheres estrangeiras convidadas para as festas de Trancoso eram transportadas diretamente do exterior em jatos particulares fretados para os eventos. A logística aérea privada garantia discrição e evitava registros em voos comerciais. Os países de origem das convidadas — Ucrânia, Suécia, Noruega, Suíça e Holanda — indicam uma seleção internacional deliberada, reforçando a barreira linguística que impedia que elas compreendessem o que se passava nas reuniões.

Qual é a linha do tempo completa do caso Banco Master?

Em 2018, Vorçaro comprou o Banco Máxima; em 2021, rebatizou-o como Banco Master. Entre 2019 e 2024, os ativos cresceram de R$ 3,7 bi para R$ 82 bi. Entre julho de 2024 e outubro de 2025, o Master e o BRB realizaram R$ 16,7 bi em operações suspeitas. Em 17 de novembro de 2025, Vorçaro foi preso na Operação Compliance Zero e liberado em 28 de novembro. Em 14 de janeiro de 2026, ocorreu a 2ª fase da operação. Em 12 de fevereiro de 2026, Toffoli pediu afastamento do caso. Em fevereiro de 2026, o iPhone foi descriptografado. Os depoimentos no Senado estavam marcados para 23 e 24 de fevereiro de 2026.

Por que Vorçaro tentou embarcar para Dubai ao ser preso?

Daniel Vorçaro foi preso no Aeroporto Internacional de Guarulhos em 17 de novembro de 2025 quando tentava embarcar em um jato particular com destino a Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Dubai é conhecida por não ter tratado de extradição com o Brasil, tornando-a um destino atraente para pessoas que tentam fugir da Justiça brasileira. O impedimento de fuga foi um dos elementos que justificaram a decretação da prisão preventiva.

O que significa o afastamento de Toffoli para o andamento do caso no STF?

Com o afastamento voluntário de Toffoli em 12 de fevereiro de 2026, a relatoria do caso Banco Master no Supremo Tribunal Federal foi transferida ao ministro André Mendonça. A mudança de relator é significativa porque altera o ritmo e a orientação das decisões do STF sobre o caso. Investigadores avaliam que o afastamento foi uma consequência direta da descriptografia do iPhone de Vorçaro, que trouxe à tona mensagens conectando os dois.

Quem é o ministro André Mendonça e por que passou a relatar o caso?

André Mendonça é ministro do Supremo Tribunal Federal, indicado pelo presidente Jair Bolsonaro em 2021. Assumiu a relatoria do caso Banco Master após o pedido de afastamento voluntário de Dias Toffoli em 12 de fevereiro de 2026. A transferência do caso foi recebida com cautela por observadores, que avaliarão se Mendonça adotará postura mais independente em relação às investigações que envolvem figuras do Judiciário.

Como o caso Banco Master se compara ao escândalo das Americanas?

O escândalo das Americanas em 2023 revelou um rombo contábil de R$ 40 bilhões e foi considerado o maior da história do Brasil até então. O caso Banco Master superou esse patamar: o rombo no FGC está estimado entre R$ 47 bilhões e R$ 52 bilhões, tornando-o o maior da história do país. Além da dimensão financeira, o caso Master tem uma camada política muito mais abrangente, com a investigação alcançando ministros do STF, ex-ministros da Fazenda e da Justiça, senadores e o próprio presidente da República.

Que tipo de ativos o fundo High Tower comprou do extinto Banco Besc?

O fundo High Tower, administrado no âmbito da estrutura da Reag e da VARESE, adquiriu carteiras de crédito do extinto Banco do Estado de Santa Catarina (Besc) pelo valor de R$ 850 milhões. No entanto, o fundo declarou que esses ativos valiam R$ 10 bilhões em seus demonstrativos contábeis. Essa diferença de quase 12 vezes entre o valor de compra e o valor declarado é um exemplo paradigmático da superavaliação artificial de ativos que sustentava o esquema.

O que motivou o Banco Central a emitir alertas sobre o Banco Master?

O Banco Central emitiu alertas sobre as operações do Banco Master principalmente em razão do crescimento atípico dos ativos — de R$ 3,7 bi para R$ 82 bi em cinco anos — e das características suspeitas das operações com o BRB. A oferta de CDBs com rendimento de até 140% do CDI também era um sinal de alerta, pois taxas muito acima do mercado geralmente indicam que a instituição precisa captar a qualquer custo para cobrir um rombo interno. Apesar dos alertas, as operações continuaram por mais de um ano.

De que forma o caso Master expõe vulnerabilidades no sistema de garantias do FGC?

O caso Master expõe uma falha estrutural no sistema de garantias: o FGC cobre depósitos de pessoa física até R$ 250 mil por CPF, e bancos menores podem usar essa cobertura como argumento de venda para oferecer juros acima do mercado. Quanto mais alto o juro oferecido, mais recursos entram, expandindo o passivo sem que haja ativos reais de contrapartida. O investidor se sente protegido pela garantia do FGC e aceita o risco, mas o fundo não foi desenhado para absorver rombos da magnitude causada por uma fraude sistêmica e deliberada.

Como o sigilo das festas de Trancoso era mantido além da proibição de celulares?

Além de proibir o uso de celulares pelos convidados, Vorçaro garantia o sigilo dos eventos por meio de transporte privado em jatos particulares — o que dificultava o rastreamento dos participantes —, da seleção de mulheres estrangeiras sem domínio do português e do controle centralizado dos registros, que eram mantidos exclusivamente pelo próprio Vorçaro por meio das câmeras instaladas nos imóveis. Essa arquitetura de sigilo foi desenhada para garantir que os registros comprometedores ficassem apenas em poder do anfitrião.

Qual é a origem familiar e religiosa de Daniel Vorçaro?

Vorçaro é neto de Serafim Vorçaro, imigrante italiano que se estabeleceu no Brasil, e filho de Henrique Vorçaro, corretor imobiliário de Belo Horizonte. A família tem ligação com a Igreja Batista da Lagoinha, uma das maiores e mais influentes igrejas evangélicas do Brasil, com forte atuação em Belo Horizonte. Essa origem religiosa e familiar contrasta radicalmente com a natureza dos crimes que lhe são imputados.

Quais são as consequências jurídicas potenciais para Vorçaro?

Vorçaro responde por crimes que podem incluir gestão fraudulenta de instituição financeira, lavagem de dinheiro, corrupção ativa, formação de quadrilha e possivelmente tráfico de pessoas a depender do que as investigações sobre as festas revelarem. As penas combinadas para esse conjunto de delitos podem resultar em décadas de prisão. A postura de colaboração sinalizada por sua defesa sugere que ele pode buscar um acordo de delação premiada para reduzir a pena.

O que acontece com os contratos firmados pelo Banco Master com escritórios e consultores?

Os contratos firmados pelo Banco Master com escritórios de advocacia e consultores — incluindo o de R$ 129 milhões com o escritório da esposa de Moraes e o de R$ 5 a R$ 6,5 milhões com o escritório de Lewandowski — são objeto de investigação como possíveis pagamentos indevidos a agentes públicos ou seus familiares. A validade jurídica desses contratos está em questão, e os valores recebidos podem ser objeto de ação de recuperação de ativos.

O que é a CPMI do INSS e por que ela está investigando o caso Master?

A CPMI do INSS é uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que investiga irregularidades no Instituto Nacional do Seguro Social. O caso Master foi incorporado à pauta da comissão em razão das conexões entre o esquema e figuras políticas que também estão no centro das investigações do INSS. A comissão antecipou para 23 de fevereiro de 2026 o depoimento de Vorçaro, sinalizado interesse parlamentar na colaboração do empresário.

Como Vorçaro construiu uma rede de influência abrangendo os três Poderes?

Vorçaro construiu sua rede de influência por camadas: no Judiciário, firmou contratos milionários com escritórios de familiares de ministros do STF e realizou encontros privados com magistrados nas festas de Trancoso. No Executivo, contratou ex-ministros como consultores e obteve reunião com o presidente Lula. No Legislativo, cultivou senadores e deputados por meio de contratos, indicações e interlocução política. A amplitude dessa rede — abrangendo governo federal, STF e Congresso — é o que torna o caso excepcionalmente grave.

Que papel a Igreja Batista da Lagoinha pode ter desempenhado nas conexões de Vorçaro?

A Igreja Batista da Lagoinha é uma das igrejas evangélicas mais influentes do Brasil, com ramificações políticas e empresariais em todo o país. A ligação familiar de Vorçaro com essa instituição pode ter sido uma das portas de entrada para redes de relacionamento que facilitaram suas conexões com figuras de poder. No entanto, não há indicação de que a instituição religiosa em si tenha participado ou tido conhecimento do esquema fraudulento.

Como o caso Banco Master afeta a confiança no sistema financeiro brasileiro?

O caso abala a confiança no sistema financeiro em múltiplas dimensões: questiona a eficácia do Banco Central como regulador, expõe fragilidades no modelo do FGC, revela que autoridades dos três Poderes podem ter sido cooptadas para proteger um banco fraudulento e demonstra que a criptografia e o sigilo foram usados sistematicamente para ocultar crimes. A combinação de fraude financeira com captura política é particularmente corrosiva para a confiança institucional.

O que distingue o caso Banco Master de fraudes bancárias anteriores no Brasil?

Fraudes bancárias anteriores, como a do Banco Panamericano (2010, rombo de R$ 4,3 bi) e a do BVA (2012), envolviam principalmente irregularidades contábeis sem a dimensão de captura política sistêmica. O caso Master combina fraude financeira em escala histórica (R$ 47-52 bi no FGC) com um esquema de comprometimento de autoridades dos três Poderes por meio de festas, contratos milionários e encontros sigilosos. Essa combinação não tem precedente na história do sistema financeiro brasileiro.

O que as câmeras de segurança dos imóveis de Vorçaro podem revelar?

A Polícia Federal está analisando os vídeos das câmeras de segurança instaladas nos imóveis de Vorçaro em Trancoso, onde as festas eram realizadas. Esses registros podem documentar a presença de autoridades nos eventos, seus comportamentos nos imóveis e eventuais conversas ou situações comprometedoras. A análise de vídeo é complementar à extração de dados do iPhone e pode fornecer evidências visuais difíceis de contestar judicialmente.

Como a estratégia jurídica de Vorçaro difere da adotada por outros investigados em casos de grande repercussão?

Em casos de grande repercussão envolvendo poderosos, a estratégia mais comum é invocar o direito ao silêncio, particularmente em depoimentos parlamentares. Vorçaro, ao contrário, sinalizou que responderá às perguntas na CAE e na CPMI do INSS. Essa postura pode indicar uma estratégia de delação — colaborar com as investigações em troca de benefícios penais — ou simplesmente uma avaliação de que o silêncio seria mais prejudicial do que falar, diante das evidências já reunidas pela PF.

Qual é o contexto político mais amplo do caso Banco Master no Brasil de 2025-2026?

O caso eclode em um momento de forte polarização política no Brasil, com investigações simultâneas atingindo figuras dos governos Lula e Bolsonaro, além de ministros indicados por ambos. O fato de Vorçaro ter construído conexões com PT, PP e União Brasil demonstra que o esquema era apartidário em sua natureza corrupta. O caso coincide com investigações sobre o INSS, o caso das joias da Presidência e tensões entre o STF e outros Poderes, tornando o ambiente político particularmente volátil.

O que acontece com o passivo do Banco Master diante dos depositantes que ainda não foram pagos?

Até 19 de fevereiro de 2026, o FGC havia pago 92% do total estimado, restando entre R$ 3,8 bilhões e R$ 4,7 bilhões a ser desembolsado. Depositantes com valores acima do limite de R$ 250 mil por CPF têm cobertura parcial e podem ter perdas nos valores que excedem o teto garantido. O processo de liquidação das 8 instituições financeiras pode gerar alguma recuperação adicional de ativos, mas especialistas estimam que o valor recuperável é uma fração pequena do rombo total.

Qual é o significado jurídico e político de autoridades dos três Poderes comparecerem às festas de Vorçaro?

A presença de autoridades dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário em festas organizadas por um empresário investigado por fraude financeira configura potencialmente crimes de corrupção passiva, para os que receberam vantagens indevidas, e ativa para Vorçaro. No plano político, revela que a corrupção no Brasil não é exclusividade de um grupo ou partido, mas uma prática transversal que perpassa o Estado em sua totalidade. A identificação dos presentes é por isso tratada como urgente pelo Ministério Público junto ao TCU.