UrgenteTransfobiaSBTJustiçaAtualizado em 12 de março de 2026

Ratinho Disse ao Vivo que Erika Hilton "Não É Mulher" — Ela Pede R$ 10 Mi e Prisão por Transfobia

Em 11 de março de 2026, o apresentador Ratinho fez comentários transfóbicos ao vivo no Programa do Ratinho na SBT, afirmando que Erika Hilton — recém-eleita presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara dos Deputados — "não é mulher". A própria plateia do programa reagiu negativamente. Erika Hilton respondeu acionando a Justiça com um processo de R$ 10 milhões e pedindo ao MP-SP a prisão do apresentador por crime de transfobia, que no Brasil é equiparado a racismo pelo STF desde 2019.

Linha do Tempo: Do Comentário ao Processo

10/03/2026

Erika Hilton eleita presidente da Comissão

Erika Hilton (PSOL-SP), deputada federal e figura central do movimento LGBTQIA+ no Brasil, é eleita presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara dos Deputados. A eleição tem repercussão nacional e é amplamente celebrada por movimentos feministas e LGBTQIA+.

11/03/2026

Ratinho faz comentário transfóbico ao vivo na SBT

Durante o Programa do Ratinho, ao comentar sobre a eleição de Erika Hilton para a presidência da comissão de direitos da mulher, Carlos Roberto Massa afirma que ela "não é mulher". A declaração é feita em rede nacional. A reação negativa da própria plateia presente no estúdio é captada pelas câmeras e viraliza horas depois na CNN Brasil.

11/03/2026

Vídeo viraliza e gera comoção nacional

O vídeo do comentário de Ratinho e da reação da plateia se espalha em todas as redes sociais. #RatinhoTransfobo entra nos Trending Topics do Brasil. Parlamentares, advogados, artistas e ativistas repercutem o caso e pedem punição.

11/03/2026

SBT emite nota oficial

A emissora divulga nota pública afirmando que "os comentários não representam a posição da emissora" e que a SBT "repudia qualquer forma de discriminação". A nota não menciona nenhuma medida disciplinar em relação a Ratinho.

12/03/2026

Erika Hilton processa Ratinho e SBT por R$ 10 milhões

Erika Hilton entra com ação cível por danos morais contra Ratinho e a SBT, pedindo R$ 10 milhões em indenização. Simultaneamente, aciona o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) pedindo a abertura de inquérito criminal por crime de transfobia, com pedido de prisão do apresentador.

O Que Diz a Lei Brasileira Sobre Transfobia

Em junho de 2019, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, por 8 votos a 3, que a transfobia e a homofobia são equiparadas ao crime de racismo, enquadrando essas condutas na Lei nº 7.716/89 — a Lei Caó, que define os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião e procedência nacional.

A decisão, proferida no julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão (ADO 26) e do Mandado de Injunção (MI 4733), reconheceu que o Congresso Nacional estava em mora — ou seja, havia deixado de legislar sobre o tema apesar da obrigação constitucional de criminalizar a discriminação contra grupos vulneráveis.

Penas Previstas para Transfobia (equiparada a racismo):

  • Discriminação em geral: 1 a 3 anos de reclusão + multa
  • Praticada por meios de comunicação: 1 a 5 anos de reclusão + multa
  • Características: crime inafiançável e imprescritível
  • Ação penal: pública incondicionada (o Estado processa independentemente da vítima)

O fato de Ratinho ter feito os comentários transfóbicos ao vivo em rede nacional, pela SBT — uma das maiores emissoras do Brasil —, é particularmente relevante: a lei prevê penas maiores quando a discriminação é praticada por veículos de comunicação de amplo alcance, justamente porque o potencial de dano é imensamente maior.

Vale destacar que a configuração do crime de transfobia não exige intenção de ofender. Basta que a conduta seja objetivamente discriminatória com base na identidade de gênero da vítima. Alegar desconhecimento da lei ou chamar de "opinião" não afasta o crime.

Quem É Erika Hilton

Erika Hilton é deputada federal pelo PSOL-SP, eleita em 2022 como a deputada federal mais votada do estado de São Paulo com mais de 192 mil votos — e a mulher trans mais votada para o Congresso Nacional na história do Brasil.

Ativista do movimento LGBTQIA+ desde jovem, ela emergiu como liderança nacional ao articular debates sobre direitos de pessoas trans, racismo e feminismo no Parlamento. É uma das vozes mais proeminentes da esquerda progressista brasileira e com alto engajamento nas redes sociais, com milhões de seguidores.

A eleição de Erika Hilton para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara foi histórica: trata-se da primeira mulher trans a presidir a comissão. A escolha gerou reações polarizadas — celebração entre progressistas e críticas de parlamentares conservadores, contexto que motivou o comentário de Ratinho.

Erika Hilton é também conhecida por responder com contundência a ataques públicos por vias legais, tornando o caso Ratinho parte de uma postura mais ampla de não tolerância à discriminação.

Quem É Ratinho

Carlos Roberto Massa, o Ratinho, é um dos apresentadores de televisão mais longevos do Brasil. Atualmente no ar pela SBT, comanda o Programa do Ratinho desde 1999 — um dos programas de auditório mais tradicionais da televisão brasileira, com décadas de audiência consolidada.

Com 72 anos, Ratinho construiu carreira em programas populares de entretenimento, tendo passado pelo SBT, Bandeirantes e Record. Seu estilo é associado ao humor de apelo popular, polêmicas e posicionamentos conservadores, especialmente em temas de costumes e comportamento social.

Ao longo da carreira, Ratinho já protagonizou outras polêmicas envolvendo comentários sobre minorias e grupos vulneráveis. O caso da transfobia contra Erika Hilton, no entanto, é o que apresenta consequências jurídicas mais graves por envolver a combinação de: difusão em rede nacional, identidade de gênero de figura pública e a robusta jurisprudência do STF desde 2019.

O apresentador ainda não se pronunciou publicamente sobre o processo movido por Erika Hilton até o fechamento desta matéria.

A Nota do SBT e a Plateia que Viralizou

Poucas horas após o comentário ir ao ar, a SBT divulgou uma nota oficial. O texto afirma que a emissora "repudia qualquer forma de discriminação" e que os comentários de Ratinho "não representam a posição da emissora". A nota não especifica nenhuma consequência disciplinar, não menciona afastamento ou advertência ao apresentador, e não há pedido formal de desculpas às pessoas trans.

"A SBT repudia qualquer forma de discriminação. Os comentários feitos durante o programa não representam a posição da emissora."
— Nota oficial da SBT, 11/03/2026

Para especialistas em direito da comunicação, a nota do SBT pode ser insuficiente para afastar a responsabilidade civil solidária da emissora. A argumentação de Erika Hilton é que a SBT permitiu, ao vivo e sem intervenção, que um crime de transfobia fosse cometido em rede nacional dentro de seu programa.

O que mais chamou atenção nas redes sociais foi um detalhe captado pelas câmeras: a reação negativa da própria plateia presente no estúdio. Enquanto Ratinho fazia os comentários, é possível ouvir e ver membros do público demonstrando desconforto e desaprovação — cenas que foram amplificadas pela CNN Brasil em sua cobertura do episódio e compartilhadas milhões de vezes.

O fato de a plateia — historicamente formada por público fiel ao apresentador — ter reagido mal ao comentário foi interpretado por analistas como um sinal de que mesmo o público conservador começa a rejeitar discursos abertamente transfóbicos em espaços públicos.

O Que Pode Acontecer: Multa de R$ 10 Mi + Prisão de até 5 Anos

O caso envolve dois caminhos legais simultâneos, movidos por Erika Hilton:

1. Ação Cível por Danos Morais — R$ 10 Milhões

Na esfera cível, Erika Hilton ingressou com ação contra Ratinho e a SBT pedindo R$ 10 milhões em indenização por danos morais. O valor levou em consideração:

  • A amplitude da transmissão (SBT em rede nacional)
  • A gravidade da conduta discriminatória
  • O caráter pedagógico e inibitório da indenização
  • A capacidade econômica dos réus (apresentador de décadas e emissora de alcance nacional)
  • O impacto à honra e à dignidade de Erika Hilton como pessoa trans e agente pública

Se o juiz acolher o pedido integralmente — ou mesmo parcialmente —, Ratinho e a SBT podem ser condenados a pagar em conjunto ou individualmente parte desse valor.

2. Acionamento do MP-SP — Processo Criminal e Risco de Prisão

Na esfera penal, Erika Hilton acionou o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) pedindo a abertura de inquérito policial e posterior denúncia criminal contra Ratinho por crime de transfobia, nos termos da Lei nº 7.716/89.

O MP-SP tem autonomia para:

  1. Determinar abertura de inquérito policial
  2. Oferecer denúncia criminal ao juiz
  3. Pedir medidas cautelares, incluindo prisão preventiva, se entender que há risco de fuga ou repetição do crime

Se o MP-SP oferecer denúncia e o juiz aceitá-la, Ratinho se tornará réu em ação penal. A pena pode chegar a 5 anos de reclusão por ter sido praticado por meio de comunicação de amplo alcance. O crime é inafiançável — ou seja, ele não pode simplesmente pagar uma fiança para ficar livre durante o processo.

Resumo das Consequências Possíveis:

Esfera Cível

  • Indenização de até R$ 10 milhões
  • SBT co-responsável
  • Sentença em meses ou anos

Esfera Criminal

  • Reclusão de 1 a 5 anos
  • Crime inafiançável
  • Crime imprescritível

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Perguntas Frequentes

O que Ratinho disse sobre Erika Hilton?+
No dia 11 de março de 2026, ao vivo no Programa do Ratinho na SBT, o apresentador Carlos Roberto Massa (Ratinho) fez comentários transfóbicos afirmando que Erika Hilton "não é mulher". O contexto foi a eleição de Erika Hilton para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara dos Deputados. A fala viralizou na CNN Brasil após a plateia do próprio programa reagir negativamente à declaração.
Transfobia é crime no Brasil? Qual a pena?+
Sim. Desde 2019, o Supremo Tribunal Federal (STF) equiparou a transfobia ao crime de racismo, enquadrando-a na Lei nº 7.716/89. A pena é de 1 a 3 anos de reclusão, mais multa, podendo chegar a 1 a 5 anos quando praticada por meios de comunicação com amplo alcance. O crime é inafiançável e imprescritível, assim como o racismo. A decisão do STF foi no julgamento da ADO 26 e do MI 4733, com tese fixada em junho de 2019.
Erika Hilton pode mesmo pedir a prisão de Ratinho?+
Sim. Erika Hilton acionou o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) para que o órgão investigue a conduta de Ratinho e, se entender cabível, ofereça denúncia criminal. Como a transfobia é equiparada a racismo pelo STF, o crime é de ação penal pública incondicionada — ou seja, o Estado pode e deve processar independentemente da vontade da vítima. Se o MP-SP oferecer denúncia e o juiz aceitá-la, Ratinho poderá ser réu e, dependendo do andamento processual, ter sua prisão preventiva decretada.
O SBT pode ser responsabilizado também?+
Sim. O SBT pode ser responsabilizado civilmente pelos comentários de Ratinho por duas razões: primeiro, porque foi a plataforma de transmissão que possibilitou a ampla difusão da fala transfóbica ao vivo para todo o Brasil; segundo, porque a emissora tem responsabilidade editorial sobre o conteúdo que vai ao ar. A própria SBT emitiu nota repudiando a discriminação e afirmando que "os comentários não representam a posição da emissora" — o que é uma tentativa de se dissociar da declaração, mas não necessariamente afasta a responsabilidade civil. Erika Hilton incluiu a emissora no processo de R$ 10 milhões em danos morais.
Como verificar se uma pessoa tem histórico de discriminação ou processos?+
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