Ratinho Disse ao Vivo que Erika Hilton "Não É Mulher" — Ela Pede R$ 10 Mi e Prisão por Transfobia
Em 11 de março de 2026, o apresentador Ratinho fez comentários transfóbicos ao vivo no Programa do Ratinho na SBT, afirmando que Erika Hilton — recém-eleita presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara dos Deputados — "não é mulher". A própria plateia do programa reagiu negativamente. Erika Hilton respondeu acionando a Justiça com um processo de R$ 10 milhões e pedindo ao MP-SP a prisão do apresentador por crime de transfobia, que no Brasil é equiparado a racismo pelo STF desde 2019.
Linha do Tempo: Do Comentário ao Processo
Erika Hilton eleita presidente da Comissão
Erika Hilton (PSOL-SP), deputada federal e figura central do movimento LGBTQIA+ no Brasil, é eleita presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara dos Deputados. A eleição tem repercussão nacional e é amplamente celebrada por movimentos feministas e LGBTQIA+.
Ratinho faz comentário transfóbico ao vivo na SBT
Durante o Programa do Ratinho, ao comentar sobre a eleição de Erika Hilton para a presidência da comissão de direitos da mulher, Carlos Roberto Massa afirma que ela "não é mulher". A declaração é feita em rede nacional. A reação negativa da própria plateia presente no estúdio é captada pelas câmeras e viraliza horas depois na CNN Brasil.
Vídeo viraliza e gera comoção nacional
O vídeo do comentário de Ratinho e da reação da plateia se espalha em todas as redes sociais. #RatinhoTransfobo entra nos Trending Topics do Brasil. Parlamentares, advogados, artistas e ativistas repercutem o caso e pedem punição.
SBT emite nota oficial
A emissora divulga nota pública afirmando que "os comentários não representam a posição da emissora" e que a SBT "repudia qualquer forma de discriminação". A nota não menciona nenhuma medida disciplinar em relação a Ratinho.
Erika Hilton processa Ratinho e SBT por R$ 10 milhões
Erika Hilton entra com ação cível por danos morais contra Ratinho e a SBT, pedindo R$ 10 milhões em indenização. Simultaneamente, aciona o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) pedindo a abertura de inquérito criminal por crime de transfobia, com pedido de prisão do apresentador.
O Que Diz a Lei Brasileira Sobre Transfobia
Em junho de 2019, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, por 8 votos a 3, que a transfobia e a homofobia são equiparadas ao crime de racismo, enquadrando essas condutas na Lei nº 7.716/89 — a Lei Caó, que define os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião e procedência nacional.
A decisão, proferida no julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão (ADO 26) e do Mandado de Injunção (MI 4733), reconheceu que o Congresso Nacional estava em mora — ou seja, havia deixado de legislar sobre o tema apesar da obrigação constitucional de criminalizar a discriminação contra grupos vulneráveis.
Penas Previstas para Transfobia (equiparada a racismo):
- Discriminação em geral: 1 a 3 anos de reclusão + multa
- Praticada por meios de comunicação: 1 a 5 anos de reclusão + multa
- Características: crime inafiançável e imprescritível
- Ação penal: pública incondicionada (o Estado processa independentemente da vítima)
O fato de Ratinho ter feito os comentários transfóbicos ao vivo em rede nacional, pela SBT — uma das maiores emissoras do Brasil —, é particularmente relevante: a lei prevê penas maiores quando a discriminação é praticada por veículos de comunicação de amplo alcance, justamente porque o potencial de dano é imensamente maior.
Vale destacar que a configuração do crime de transfobia não exige intenção de ofender. Basta que a conduta seja objetivamente discriminatória com base na identidade de gênero da vítima. Alegar desconhecimento da lei ou chamar de "opinião" não afasta o crime.
Quem É Erika Hilton
Erika Hilton é deputada federal pelo PSOL-SP, eleita em 2022 como a deputada federal mais votada do estado de São Paulo com mais de 192 mil votos — e a mulher trans mais votada para o Congresso Nacional na história do Brasil.
Ativista do movimento LGBTQIA+ desde jovem, ela emergiu como liderança nacional ao articular debates sobre direitos de pessoas trans, racismo e feminismo no Parlamento. É uma das vozes mais proeminentes da esquerda progressista brasileira e com alto engajamento nas redes sociais, com milhões de seguidores.
A eleição de Erika Hilton para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara foi histórica: trata-se da primeira mulher trans a presidir a comissão. A escolha gerou reações polarizadas — celebração entre progressistas e críticas de parlamentares conservadores, contexto que motivou o comentário de Ratinho.
Erika Hilton é também conhecida por responder com contundência a ataques públicos por vias legais, tornando o caso Ratinho parte de uma postura mais ampla de não tolerância à discriminação.
Quem É Ratinho
Carlos Roberto Massa, o Ratinho, é um dos apresentadores de televisão mais longevos do Brasil. Atualmente no ar pela SBT, comanda o Programa do Ratinho desde 1999 — um dos programas de auditório mais tradicionais da televisão brasileira, com décadas de audiência consolidada.
Com 72 anos, Ratinho construiu carreira em programas populares de entretenimento, tendo passado pelo SBT, Bandeirantes e Record. Seu estilo é associado ao humor de apelo popular, polêmicas e posicionamentos conservadores, especialmente em temas de costumes e comportamento social.
Ao longo da carreira, Ratinho já protagonizou outras polêmicas envolvendo comentários sobre minorias e grupos vulneráveis. O caso da transfobia contra Erika Hilton, no entanto, é o que apresenta consequências jurídicas mais graves por envolver a combinação de: difusão em rede nacional, identidade de gênero de figura pública e a robusta jurisprudência do STF desde 2019.
O apresentador ainda não se pronunciou publicamente sobre o processo movido por Erika Hilton até o fechamento desta matéria.
A Nota do SBT e a Plateia que Viralizou
Poucas horas após o comentário ir ao ar, a SBT divulgou uma nota oficial. O texto afirma que a emissora "repudia qualquer forma de discriminação" e que os comentários de Ratinho "não representam a posição da emissora". A nota não especifica nenhuma consequência disciplinar, não menciona afastamento ou advertência ao apresentador, e não há pedido formal de desculpas às pessoas trans.
"A SBT repudia qualquer forma de discriminação. Os comentários feitos durante o programa não representam a posição da emissora."
Para especialistas em direito da comunicação, a nota do SBT pode ser insuficiente para afastar a responsabilidade civil solidária da emissora. A argumentação de Erika Hilton é que a SBT permitiu, ao vivo e sem intervenção, que um crime de transfobia fosse cometido em rede nacional dentro de seu programa.
O que mais chamou atenção nas redes sociais foi um detalhe captado pelas câmeras: a reação negativa da própria plateia presente no estúdio. Enquanto Ratinho fazia os comentários, é possível ouvir e ver membros do público demonstrando desconforto e desaprovação — cenas que foram amplificadas pela CNN Brasil em sua cobertura do episódio e compartilhadas milhões de vezes.
O fato de a plateia — historicamente formada por público fiel ao apresentador — ter reagido mal ao comentário foi interpretado por analistas como um sinal de que mesmo o público conservador começa a rejeitar discursos abertamente transfóbicos em espaços públicos.
O Que Pode Acontecer: Multa de R$ 10 Mi + Prisão de até 5 Anos
O caso envolve dois caminhos legais simultâneos, movidos por Erika Hilton:
1. Ação Cível por Danos Morais — R$ 10 Milhões
Na esfera cível, Erika Hilton ingressou com ação contra Ratinho e a SBT pedindo R$ 10 milhões em indenização por danos morais. O valor levou em consideração:
- A amplitude da transmissão (SBT em rede nacional)
- A gravidade da conduta discriminatória
- O caráter pedagógico e inibitório da indenização
- A capacidade econômica dos réus (apresentador de décadas e emissora de alcance nacional)
- O impacto à honra e à dignidade de Erika Hilton como pessoa trans e agente pública
Se o juiz acolher o pedido integralmente — ou mesmo parcialmente —, Ratinho e a SBT podem ser condenados a pagar em conjunto ou individualmente parte desse valor.
2. Acionamento do MP-SP — Processo Criminal e Risco de Prisão
Na esfera penal, Erika Hilton acionou o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) pedindo a abertura de inquérito policial e posterior denúncia criminal contra Ratinho por crime de transfobia, nos termos da Lei nº 7.716/89.
O MP-SP tem autonomia para:
- Determinar abertura de inquérito policial
- Oferecer denúncia criminal ao juiz
- Pedir medidas cautelares, incluindo prisão preventiva, se entender que há risco de fuga ou repetição do crime
Se o MP-SP oferecer denúncia e o juiz aceitá-la, Ratinho se tornará réu em ação penal. A pena pode chegar a 5 anos de reclusão por ter sido praticado por meio de comunicação de amplo alcance. O crime é inafiançável — ou seja, ele não pode simplesmente pagar uma fiança para ficar livre durante o processo.
Resumo das Consequências Possíveis:
Esfera Cível
- Indenização de até R$ 10 milhões
- SBT co-responsável
- Sentença em meses ou anos
Esfera Criminal
- Reclusão de 1 a 5 anos
- Crime inafiançável
- Crime imprescritível
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